Kolla vs. Kolla-Ansible: guia de deploy no OpenStack
Implantar uma infraestrutura OpenStack exige mais do que instalar serviços isolados. Equipes de cloud precisam estruturar ambientes escaláveis, consistentes e fáceis de operar. Entretanto, processos tradicionais de instalação podem gerar etapas manuais extensas, o que aumenta a complexidade operacional e o risco de inconsistências. Nesse contexto, projetos como Kolla e Kolla-Ansible transformam a forma como operadores realizam o deploy do OpenStack.
Enquanto o Kolla cria imagens de contêiner para os serviços da plataforma, o Kolla-Ansible automatiza todo o processo de implantação e configuração da nuvem. Dessa forma, é possível padronizar ambientes, reduzir erros de configuração e acelerar a entrega de infraestrutura cloud baseada em OpenStack.
Processo de build e deploy no OpenStack
Tradicionalmente, operadores podem implantar ambientes OpenStack de diferentes maneiras. Primeiramente, alguns profissionais optam pelo build manual, no qual a equipe compila serviços diretamente a partir do código-fonte. Entretanto, esse método exige grande esforço operacional e não escala bem em ambientes produtivos.
Nesse cenário, surgem ferramentas que simplificam esse processo. O Kolla, por exemplo, cria imagens de contêiner para os serviços do OpenStack, o que facilita a padronização da infraestrutura. Em seguida, o Kolla-Ansible automatiza o deploy dessas imagens em servidores físicos ou virtuais.
Além dessas opções, o ecossistema OpenStack também inclui soluções como Juju, ferramenta desenvolvida pela Canonical que simplifica o deploy da plataforma por meio de automação. Ainda assim, muitas implementações utilizam a combinação de Kolla e Kolla-Ansible para estruturar o deploy do OpenStack, pois ela entrega flexibilidade, automação e maior controle sobre o ambiente.
Kolla: criação de imagens de contêiner para OpenStack
O projeto Kolla permite gerar imagens de contêiner para os serviços do OpenStack. Primeiramente, a ferramenta empacota os componentes da plataforma em imagens que podem ser utilizadas no processo de implantação da infraestrutura. Além disso, utiliza engines de contêiner amplamente adotadas, como Docker ou Podman, para executar os serviços da plataforma.
Para gerar as imagens, o operador utiliza o comando: kolla-build
Esse processo cria imagens de contêiner para diversos serviços do OpenStack, que posteriormente podem ser utilizadas no deploy do ambiente. Adicionalmente, a ferramenta permite escolher diferentes distribuições Linux como base para as imagens, incluindo CentOS, Debian e Ubuntu.
Kolla-Ansible: automação do deploy do OpenStack
Enquanto o Kolla gera imagens de contêiner para os serviços da plataforma, o Kolla-Ansible executa o processo de deploy do OpenStack. A ferramenta utiliza o mecanismo de automação do Ansible para instalar e configurar os componentes do ambiente.
Primeiramente, o Kolla-Ansible utiliza as imagens criadas pelo Kolla durante o processo de implantação da infraestrutura. Em seguida, a ferramenta executa playbooks responsáveis pelas etapas de configuração e deploy da plataforma.
Além disso, o Kolla-Ansible permite diferentes modelos de implantação. Operadores podem iniciar ambientes all-in-one ou configurar arquiteturas multinode, conforme a estrutura do ambiente. Dessa forma, a ferramenta automatiza as etapas de deploy e configuração do OpenStack utilizando Ansible.
Etapas principais do deploy com Kolla-Ansible
Para implantar uma nuvem OpenStack com Kolla-Ansible, o operador segue uma sequência estruturada de etapas. Primeiramente, o ambiente precisa preparar dependências e ferramentas necessárias para a automação.
Em seguida, o processo de deploy geralmente inclui as seguintes etapas:
- Instalar dependências do sistema
- Criar um ambiente virtual Python
- Instalar ansible-core e kolla-ansible
- Criar o diretório /etc/kolla
- Copiar os arquivos de configuração padrão
- Definir o inventário de hosts (all-in-one ou multinode)
- Instalar dependências do Ansible Galaxy
- Gerar senhas do ambiente com kolla-genpwd
- Configurar parâmetros no arquivo globals.yml
- Executar bootstrap dos servidores
- Executar verificações de pré-deploy
- Executar o deploy da plataforma
- Realizar configuração pós-deploy
- Instalar o cliente OpenStack
Durante esse processo, o operador executa comandos como:
bootstrap-servers
prechecks
deploy
post-deploy
Consequentemente, a ferramenta instala e configura automaticamente todos os serviços necessários para a nuvem OpenStack.
Configurações essenciais no arquivo globals.yml
Durante o processo de deploy, o operador define parâmetros no arquivo globals.yml, responsável por centralizar variáveis utilizadas na configuração do ambiente.
Entre os parâmetros utilizados nesse arquivo, destacam-se:
- kolla_base_distro
- network_interface
- neutron_external_interface
- kolla_internal_vip_address
- enable_<component>
Dessa forma, essas variáveis permitem ajustar diferentes aspectos da configuração do ambiente OpenStack durante o processo de implantação.
Comandos operacionais do Kolla-Ansible
Após o processo de implantação, o operador também pode utilizar comandos para executar diferentes ações no ambiente. Entre os comandos apresentados estão, por exemplo:
upgrade
stop
destroy
Esses comandos fazem parte do conjunto de ferramentas utilizadas para gerenciar o ambiente OpenStack após o deploy.
Conclusão
Em síntese, essas ferramentas estruturam o processo de build e deploy do OpenStack por meio do uso de contêineres e automação. Enquanto uma gera imagens de contêiner para os serviços da plataforma, a outra executa as etapas de implantação e configuração do ambiente utilizando Ansible. Dessa forma, operadores conseguem organizar o processo de deploy do OpenStack a partir de imagens containerizadas e rotinas automatizadas de configuração.
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